Entre Urgências e Erros


É um privilégio viver em uma época em que um idoso de 79 anos, para seu socorro, dispõe do que há de mais desenvolvido e efetivo no transporte e na medicina!   

No início da madrugada de 10 de novembro, o Presidente Lula foi levado de Brasília até São Paulo para passar por um intervenção cirúrgica no melhor hospital do país. Teve seu crânio perfurado e conectado a pelo menos dois tubos e, três dias depois, já em posse de suas capacidades cognitiva e psicomotoras, caminhava pelos corredores do hospital. 

Mas, enquanto isso, centenas, milhares de brasileiros esperam ao longo de meses, em filas intermináveis, por uma consulta médica, por exames, por próteses, por recebimento de seguros previdenciários, portanto sem um diagnóstico, sem tratamentos e medicamentos adequados, sem  condições indispensáveis à recuperação.

Não me entenda mal... Realmente não acredito que um(a) Presidente da República, seja ele(a) quem for, não deva ter acesso ao que há de melhor para sua pronta recuperação. O que quero frisar é que vivemos em uma época em que o conhecimento, os equipamentos e as tecnologias para salvar vidas existem, porém o que não há é vontade política o suficiente para distribuir recurso, eliminar burocracias e transformar o Brasil em um país que tem como prioridade absoluta a preservação de vidas, o cuidado e a garantia de dignidade para todos(as).

Na mesma semana em que o Presidente Lula precisou ser socorrido às pressas, o Congresso brasileiro pressionou o Governo Federal e o Supremo Tribunal Jurídico para liberar bilhões de reais em emendas parlamentares, dinheiro que ninguém diz para onde vai. 

No mesmo dia em que Lula passou por uma embolização no cérebro, o Congresso votou a Reforma Tributária e se ouviu o discurso feito pelo Senador Flávio Bolsonaro contra a taxação de armas de fogo. Ora, quem está em condições financeiras de dispor de recursos para adquirir armas também o está para pagar os impostos referentes a compra. Mas, para o dito Senador, via de regra dedicado a causas de interesse próprio das mais descabidas e ignorando as necessidades cotidianas da população, as assembléias são espaços para defesa de medidas que não beneficiam os interesses gerais. Infelizmente, o Senador não é o único que assim age. 

O Brasil tem condições para se tornar em lugar de pleno bem-estar social, mas não consegue avançar nesse sentido porque o tempo que se gasta com o que  nem deveria estar em questão é superlativo. Em consequência, a saúde pública continua deficitária em pleno século XXI, assim como a segurança, o trabalho, a previdência, etc. Tudo o que é serviço público no Brasil permanece problemático, embora não muito mais do que os serviços privados também decadentes... Afinal, trata-se do país que tem entre seus congressistas péssimos exemplos do que é ser um cidadão realmente interessado no bem comum.